sábado, 23 de novembro de 2013

Da Paz

Acordei com uma dor de cabeça que me fez querer andar. Levantei, estiquei o melhor sorriso de bom dia (que deu pra fazer) a todos e saí em direção ao mar. Meus passos lentos me faziam refletir sobre a dúvida e com certo mau humor eu pensava em coisas sérias. Mas me distraí por um instante e percebi que as ondas batiam e voltavam, hora próximas, hora distantes de mim, como alguém timido que veio me visitar. Uma onda quebra e se aproxima um pouco mais, a apenas alguns centímetros de mim. Eu lhe sorrio. Uma segunda onda quebra e cobre suavemente meus pés. Nem quente, nem fria, uma temperatura nova e acolhedora. Eu gargalho por sua timidez e meu coração lhe diz que é bem vinda. Uma terceira onda quebra, dessa vez com tanta força que lavou meus joelhos e me fez perder o equilibrio. Eu ri ainda mais alto, grato por alguém com quem me distrair. Eu tiro a camisa e me jogo na água como uma criança desesperada pelo colo de quem a compreende. Ali eu choro. E entrego às águas todos os meus medos. O mar se mantém impassivel... ele sobe e desce ao deleite do vento. Suas ondas ainda quebram, como sempre fizeram e não por minha causa. Eu me sinto ridiculo. Eu o odeio e soluço com mais força deixando rolar ainda mais lágrimas. Uma pequena marola zombeteira se levanta e bate com um pouco de força no meu rosto. Eu abro os olhos assustado e percebo que meu rosto está bem molhado, mas não há lágrimas ali. Elas se foram... e agora fazem parte das ondas que há pouco molhavam meus pés. Eu sorrio mais uma vez. Naquele dia eu encontrei alguém que me ouviu e não me julgou. Naquele dia eu deixei minhas lágrimas correrem em alguém que as levou junto com todas as outras. Naquele dia eu deixei meus medos com alguém que sabe guardar bem um segredo. Naquele dia eu fiz um amigo.

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